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18/09/2015, Impressões e expressões de dias que passaram e ainda não passaram

Reginaldo Terra, quero passar um grande tempo em sua mansão.Reginaldo Terra, passaria longos tempo em sua mansão cor de rosa.

Assim como costumam dizer que as paredes escutam, descobri que elas falam também. Podem ser cochichos ou gritos do que as pessoas sentem, das mensagens que elas carregam.
As paredes sem cor do quinto andar carregavam a mesma mensagem que os portões fechados carregavam. As paredes captavam as macas e o aprisionamento daquelas pessoas, que entoavam cânticos de amor chorando, querendo ir embora, pra o festejo do andar de baixo, para o festejo de suas vidas.
Enquanto Moacir chorava, enquanto as mulheres choravam, eu me espantava, me indignava, e o que há de gente em mim se afetou e se emocionou no que havia de gente do outro lado do portão trancado, fui assim em busca do abraço que queria. Isso engendrou em mim uma potencia de afeto e para modificação. Na realidade, todos esses dias me trouxeram isso,a partir do momento que vi o quanto iam se colorindo as paredes do hospício, com exceção das paredes das enfermarias, que, alias, tinha apenas uma colorida, no quarto andar, resquícios de luta.
Aquelas enfermarias eram apenas o último aprisionamento que aquelas pessoas que estavam lá enfrentavam, o espaço que ocupava era pura contradição, e, de forma paradoxal, as paredes de lá, muitas vezes, eram as únicas a quem eles e elas falavam, beges, como branco desgastado. Já lá pelos andares de baixo, no hotel e SPA da loucura, as paredes e suas cores, comunicavam muitas coisas, sem esquecer da sua história, por isso, mais ainda, elas libertavam, como as telas dos ateliês. Ali estavam as tintas de uma liberdade espalhada nos cânticos, nos rituais e em outras inúmeras expressões.
Durante esses dias o que senti foram grandes extravasamentos nos lindos detalhes que se formavam como carnaval: o queixo arqueado da risada daquele que tinha uma linda mansão rosa em Niterói; aquele que transmitia pelo olhar todos os bonecos, brinquedos e pelúcias que vivia carregando; a companhia especial daquele que não consigo descrever o porque, mas foi muito importante ali pra mim; a energia da dança as 5 horas da manhã do mestre das embaixadinhas, cantor, compositor, ator e tudo mais que sua liberdade lhe permitia; as cotidianidades da convivência com um grande amor; aquele afetuoso homem, que cuidou de mim esses dias e me escreveu um poema…
Cochichei e acima de tudo escutei cada uma dessas manifestações, assim, pude ser pintora, palhaça, artista, assim, pude ser humana.
Gratidão.
“Porque voce entende o que falo eu hentendo o que voce fala”

Alguns relatos de minha primeira experiência no Ocupa Nise.

11986571_10208215932182920_1864358170625891195_nPimentinha, Paula Barroso, trupeana, palhaça, atriz, cortejante de sorrisos e de minha imaginação,…

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2 Respostas

  1. Moliane

    É adimirável, a atitude de vocês.. Fiquei encantada pelo trabalho, caso precisem de ajudantes, peço que entrem em contato comigo pelo e-mail, ficarei imensamente grata em ajudar. Que Deus abençoe vocês…

    22 de outubro de 2015 às 12:09 am

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